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Firme presença feminina na Polícia Militar - A Tarde - 16/09/09

LUISA TORREÃO

 

Pistola calibre 40, carabina e metralhadora são artefatos que já fazem parte do dia-a-dia de Amanda Fontes.
Aos 26 anos, formada tenente pelaPolícia Militarbaiana,ela comanda sozinha um pelotão de 10 homens no Grupo Garra – policiamento especializado sobre motocicletas. Entre o efetivo de 30 militares, é a única mulher.
Mas, nem por isso Amanda fica atrás: pilota moto, empreende perseguições e troca tiros.
Pronta para o combate e certa da profissão que escolheu, ela contraria argumentos de que o serviço não é adequado às mulheres, como teria declarado o coronel Edivaldo Camelo da Costa, comandante do 9º Batalhão da PM no Rio de Janeiro – tema de matéria publicada ontem no jornal O Dia.
Para o major Valter Serpa, 44, comandante do Esquadrão de Polícia Montada, declarações como essa não traduzem a realidade baiana, onde as mulheres começam a ocupar importantes postos, como na cavalaria. “No jogo do Brasil, no Estádio de Pituaçu, por exemplo, só tinha mulher comandando o esquadrão.
O que faz a diferença é a pessoa, não tem sexo nessa história”, afirma.
Na PM baiana, as mulheres representam 13,7% do efetivo de 29.081 policiais.Onúmero ainda é pequeno, mas precisa ser considerado dentro do contexto de que a tropa feminina passou a existir há apenas 19 anos, tendo a primeira turma de praças formada em abril de 1990, ante uma história de 184 anos de existência da corporação, que até então era exclusivamente masculina.
Preconceito “A gente sempre se depara com situações de preconceito, mas não chega a atrapalhar nosso posicionamento na tropa”, observa a tenente Ludmila Santiago, 27 anos, cinco na atividade, que coordena uma equipe no Esquadrão de Polícia Montada – são uma ou duas mulheres para cada 20 a 30 policiais.
Para ela, que lida com a força física na montaria, as diferenças de condicionamento não chegam a ser problema: “Assim como tem mulheres que procuram superar os limites, há homens que relaxam totalmente. A verdade é que independe do sexo. Depende da capacidade da pessoa de ser profissional”.
A tenente Amanda Fontes pondera que “o combate não é para qualquer mulher, mas tem muitas que mostram trabalho superior ao de alguns homens. Tem de ter dedicação e esforço”. Há dois meses no comando de pelotão do Grupo Garra, ela conta que enfrentou dificuldade na relação com os colegas, principalmente por ter a motocicleta como objeto de trabalho.
“A moto ainda é considerada um veículo masculino. No início, foi complicado. Você tem de mostrar que vai desenvolver um serviço tão bem quanto eles”, diz. Hoje, após dois anos e meio de formada, ela garante, a relação está estabilizada e não falta respeito.

Centro de apoio busca diminuir o preconceito dentro da corporação

Os problemas relacionados à discriminação de gênero dentro da Polícia Militar levaram àcriação, há três anos, doCentro deApoio àMulher PMMaria Felipa. Quem coordena é a capitã Denice Santiago, 38 anos, formada na primeira turma feminina de 1990.
Ela diz atender, por mês, uma média de 12 mulheres, entre policiais, esposas e filhas de policiais masculinos, a quem oferece o suporte de uma psicóloga e uma assistente social. Segundo ela, muitos casos envolvem depressão.
“Eu penso que tudo ainda perpassa a questão do preconceito”, relaciona.
“Se você vai a uma cirurgiã, dificilmente vai questionar se ela sabe usar o bisturi. Mas ainda perguntam se a policial militar sabe atirar, quando temos a mesma formação dos homens”, compara a capitã.
Tendo passado pelos quatro anos de academia como qualquer outro oficial, a tenente Isa Carla Amorim, 29, acredita que é preciso mostrar um pouco mais de esforço: “Gosto de me reciclar e, apesar do risco, não tenho receio de trabalhar, de botar meu colete e ir para a rua”. Casada e mãe de uma filha de pouco mais de um ano, Isa se divide entre profissional e mãe, mas não perde o equilíbrio.
“Às vezes, me preocupo, mas dá para conciliar”, considera a tenente.
O major Valter Menezes, comandante da Rondesp Atlântico, cujo efetivo de 148 policias envolve oito mulheres, é categórico, ao comentar posições preconceituosas:“Quem acha que a policial feminina não deve atuarnacorporação está pensando de maneira ultrapassada”, opina.
Rio de Janeiro Indignadas com a declaração de que “a Polícia Militar não é serviço adequado a mulheres”, policiais cariocas femininas vão se reunir, esta semana, no Quartel-General da corporação, para ouvir explicações do comandante do 9º Batalhão da PM do Rio de Janeiro, coronel Edivaldo Camelo da Costa, segundo anunciou ontem o jornal O Dia.
A polêmica veioà tona após a publicação, em julho, de uma entrevista com o coronel no blog universitário Jiló Press. Em um trecho da conversa, ele teria dito: “Entendo a modernidade, mas a mulher não consegue fazer a mesma coisa que o homem faz”. Anteontem, o oficial chegou a pedir desculpas por externar as opiniões.

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