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NotíciasUma mulher com ações reconhecidas na Federação - A Tarde 30/10/09SIDNEI MATOS
Presidente da Associação de Moradores da Federação (Amofe), a educadora Sandra Tereza, 52 anos,é um exemplo disso. Trabalhando numa associação até hoje sem sede própria, às vezes gastando do próprio bolso, foi às custas de muita força de vontade que ela levou para o bairro projetos como a Biblioteca e o Pré-Vestibular Comunitário. O trabalho voluntário, em oito anos, aprovou mais de 150 alunos do bairro em universidades públicas. A propaganda é feita pelos próprios moradores. “Ela trabalha muito e esse trabalho é bem conhecido, o que falta é participação da população”, afirma Marionalva Reis, 59 anos. A vizinha Judite Santos, 61, concorda e, do alto de seus mais de 20 anos de vivência na localidade, conta que foi por meio da articulação de Sandra que o local passou a ter avanços, como oPosto de Saúde da Família e um maior número de ônibus circulando. Valorizando o trabalho em grupo, Sandra Tereza faz questão de atribuir as realizações a toda a diretoria da associação que preside. Mas não esconde as críticas aos oportunistas de plantão. “Aqui é assim,naépoca de eleição, todo mundo quer ocupar algum posto na associação, depois some”, ressalta ao criticar o que chama de “lideranças de bolso”, que são aquelas que visam benefícios próprios pelo trabalho comunitário. Sandra afirma não ter pretensões políticas partidárias e pede que mais pessoas se unam na melhoria do bairro. Soma de forças Perfis como o dela se enquadram justamente no que a pesquisadora Maria Gabriela Hita, vinculada ao Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia, classifica como lideranças que fortalecem a democracia. “A gente tem uma variedade enorme de lideranças, desde as ONGs até as lideranças religiosas. O que eu achoimportante nolíder é essa capacidade de estar congregando outras lideranças. O debate é interessante porque ele sempre leva a algo mais”, explica Maria Gabriela. Trabalhando em uma pesquisa que busca entender os distintos grupos sociais que hoje atuam no Bairro da Paz, ela defende que ao líder de hoje não cabe o enfrentamento direto à violência, mas, sim chamar a atenção da comunidade para as necessidades ali existentes. “A violência não é umproblema do bairro popular, e sim dos centros urbanos”, lembra a pesquisadora. |